“Queria morar do lado da tua casa.
Sentar contigo na calçada.
Falar sobre tudo.
Ouvir o som da tua risada.
Te dar ao menos um abraço antes de voltarmos para casa.
Eu não me importaria em não ser dona de todos os teus abraços, só do mais apertado deles. Não encontraria motivos para levantar a voz se você não carregasse os meus livros. E não, não sentiria ciúmes dos teus amigos. Provavelmente, assistiria aos jogos de futebol contigo e, sem falsa modéstia, seria massacrada por ti no videogame. Eu preferiria tomar sorvete na praça, aquela onde costumávamos nos separar do nosso grupo para poder conversar, a sós, aquela conversa com conteúdo que só contigo eu conseguia ter, do que ir para um restaurante na zona-sul. Você sabe que sou desastrada e também não tenho o mínimo de paciência para me consertar. Sou do tipo que não se importa se sujar meu rosto com brigadeiro ou se jogar água borrando minha maquiagem. Eu gosto daquele amor que é puro, sem todos aqueles costumes que só servem para complicar. Sou apegada às coisas simples como olhares e a forma de falar.
“Eu sei que não sei fazer cafuné direito, eu sei que tô sempre com o cabelo desarrumado, só atraio confusão e não costumo escolher as melhores roupas. Eu sei que as vezes eu erro, tenho minhas crises existenciais e aquele medo exagerado de perder. Eu sei que de vez em quando eu colo em você, que quando brigo sou criança. Eu sei que minhas piadas não são lá tão engraçadas, que meu humor não é sempre dos melhores e que meu jeito é todo desajeitado. Eu sei que sou torto, do avesso e as vezes idiota pra caramba. Mas por favor, não desiste de mim não. A gente combina, pode acreditar. Vai dar certo. Tem de ter, pelo menos, um motivo pros meus dedos encaixarem tanto nos teus. Agora, pelo menos dessa vez, eu vou fazer com que dê tudo certo. Confia em mim. Mas por favor, não desiste desse meu jeito desajeitado de ser.